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Análise de tendênciaRecorte: Brasil4 min de leitura

O Gemini agora age dentro do Microsoft 365. A suíte de colaboração ainda define a sua plataforma de agentes?

As novas ações em preview do Google para OneDrive, Outlook, SharePoint e Teams tornam viáveis agentes entre fornecedores. A decisão real passa para identidade, permissões e governança.

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Narração completa do artigo, gerada por IA.

Cabos de uma ponte estaiada vistos de baixo, em duotone La Madre, ao lado das palavras Agentes entre fornecedores
Foto: Gerrit Vermeulen (StockSnap, CC0)

Por anos, a escolha da plataforma de IA corporativa teve um atalho: se a empresa roda em Microsoft 365, usa Copilot; se roda em Google Workspace, usa Gemini. A suíte de colaboração escolhia o assistente.

Esse atalho está ficando mais fraco. Em 18 de setembro, o Google adicionou ao Gemini Enterprise ações em preview que permitem aos seus agentes agir, e não só ler, dentro dos principais serviços da Microsoft.

O que mudou

Segundo as notas de versão do Google, estas ações estão em public preview:

  • OneDrive: copiar pastas, mover e renomear arquivos e pastas, compartilhar, atualizar propriedades de arquivos.
  • Outlook: criar e atualizar calendários, responder a convites.
  • SharePoint: criar, consultar e atualizar itens de lista, listar listas e campos, compartilhar recursos, atualizar propriedades de arquivos e páginas, descartar check-out de documentos.
  • Teams: criar canais e chats, adicionar membros a canais, atualizar canais, chats e mensagens, criar escalas e registrar folgas.

As notas do mesmo mês trazem duas mudanças de governança que vale ler junto. Em 21 de setembro, o Google passou a permitir que administradores transfiram a propriedade de agentes compartilhados, e agendamentos e gatilhos ficam desativados na transferência até o novo dono reativá-los. Em 28 de setembro, chegaram permissões IAM por recurso, para restringir apps e data stores específicos sem liberar o projeto inteiro no Google Cloud.

Um cenário comum no Brasil

Muitas empresas brasileiras vivem em ambientes mistos: colaboração no Microsoft 365, e dados e cargas analíticas em outra nuvem, às vezes no Google Cloud com BigQuery. Para esse perfil, a novidade é concreta: um agente pode ficar perto dos dados e ainda assim agir nas ferramentas em que as pessoas trabalham.

Há uma ressalva importante sobre localização. As notas de setembro mostram modelos disponíveis nas localizações global, US e EU, e indicam que, em regiões sem suporte no país, o administrador só consegue rotear o tráfego para o endpoint global depois de aceitar um aviso. Não há, nas notas consultadas, menção a uma região no Brasil. Para dados pessoais de brasileiros, essa escolha envolve transferência internacional, que a LGPD trata com regras próprias, e precisa passar pelo time de privacidade.

O caminho de identidade de uma ação entre fornecedoresGOOGLE CLOUDMICROSOFT 36501Usuário noMicrosoftEntra02Agente doGeminiEnterprise03Conector emapeamento deidentidade04Permissão noMicrosoft 36505Ação noSharePoint,Teams ouOutlookPlataforma de agentesSuíte de colaboração
  1. Usuário no Microsoft Entra
  2. Agente do Gemini Enterprise
  3. Conector e mapeamento de identidade
  4. Permissão no Microsoft 365
  5. Ação no SharePoint, Teams ou Outlook
  • Google Cloud: Agente do Gemini Enterprise · Conector e mapeamento de identidade
  • Microsoft 365: Permissão no Microsoft 365 · Ação no SharePoint, Teams ou Outlook

Plataforma de agentesSuíte de colaboração

Cada ação de escrita atravessa dois sistemas de identidade e deixa duas trilhas de auditoria.

O custo real de um agente entre fornecedores

Um agente de um fornecedor agindo na suíte de outro já é tecnicamente possível. Na operação, ele multiplica o trabalho justamente onde se decide se a segurança aprova:

Dois sistemas de identidade. Os usuários estão no Microsoft Entra. A plataforma de agentes tem seu próprio modelo de identidade e IAM. Alguém precisa mapear em nome de quem o agente age no Microsoft 365 e manter esse mapeamento correto conforme pessoas entram, mudam de área e saem.

Tradução de permissões. Quando um agente do Gemini atualiza uma lista do SharePoint, a pergunta não é se ele consegue, mas com quais permissões, e se elas batem com o que o usuário que pediu poderia fazer diretamente.

Duas trilhas de auditoria. A ação começa em uma plataforma e é executada em outra. Uma investigação precisa dos dois lados, correlacionados.

Dois modelos de governança. Inventário de agentes, donos, regras de aprovação e papéis de administração passam a existir dos dois lados, com nomes diferentes para controles parecidos.

Quando faz sentido

Há boas razões para aceitar esse custo:

  • Dados e cargas de IA já estão no Google Cloud, enquanto a colaboração roda em Microsoft 365, e os agentes precisam ficar perto dos dados.
  • A empresa evita de propósito depender de um único fornecedor de IA e tem capacidade de governança para operar dois.
  • Uma capacidade específica existe em uma plataforma e não na outra, e o caso de uso justifica.

Faz menos sentido quando o único argumento é paridade de recursos, ou quando ninguém é dono do mapeamento de identidade e da auditoria entre plataformas.

Uma pergunta melhor do que “qual suíte?”

A suíte de colaboração está virando um alvo de integração entre vários. A decisão de plataforma deveria seguir outras três perguntas:

  1. Onde estão os dados e o processo sobre os quais o agente precisa agir?
  2. Onde você consegue aplicar identidade, permissões e auditoria de forma mais consistente para esse caso?
  3. Quem vai operar, e esse time consegue sustentar mais um modelo de governança?

Nenhum fornecedor “ganha” por padrão. O que muda é que a decisão passa a ser sua, e deliberada. É também um exemplo prático de ser nativo em uma plataforma sem ser exclusivo dela, tema do nosso guia do stack de 2026.

O que fazer agora

  • Trate as novas ações como preview. Teste em um ambiente Microsoft 365 de não produção, com contas de teste.
  • Mapeie o caminho de identidade de ponta a ponta antes de liberar qualquer ação de escrita: usuário, agente, conector, permissão no Microsoft 365.
  • Decida onde fica a trilha de auditoria combinada e teste com uma investigação simulada.
  • Revise as configurações de roteamento de modelo com o time de privacidade, sem aceitar o aviso de roteamento global por padrão.

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